quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tópicos sobre Discurso e Horror





TÓPICOS SOBRE DISCURSO E HORROR
(Curso)


Prof. Dr. Nilton Milanez (Labedisco/Uesb)
Profa. Jamille Santos (IC – Labedisco/Uesb)
(orgs.)

Ementa
Este curso tem o objetivo de discutir tópicos que fazem parte da formação do discurso sobre o horror. Essa discussão serve de alicerce para pesquisas em literatura e cinema de horror, apresentando elementos problematizados por pesquisadores do assunto em um sobrevoo acerca das posições de autores do século XVII, XIX e XX. Dessa maneira, elencaremos posicionamentos acerca do tema que nos auxiliarão a compreender a noção de horror e seus laços com o discurso.
Carga horária: 20h
Data: 27/02/2012 a 20/03/2012
Local: Labedisco
Horário: 9h
Apresentação de resultados: a) resenha de cada texto após cada encontro, b) produção de texto teórico, cotejando os autores, ao final do curso.

1.Gótico, excesso e transgressão
BOTING, Fred.  Gothic. Routledge: London and New York, 1996.

Ministrante: Profa. Mnda. Talita Figueredo (Labedisco - Mestrado em Memória/UESB) e Profa. Jamille Santos (Labedisco – IC/Uesb)

Data: 27/02/2012, segunda-feira


2.Discurso e transgressão

FOUCAULT, M. 2001b. A Linguagem ao Infinito. In: M. FOUCAULT, Ditos e Escritos III. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Rio de Janeiro, Forense Universitária, p. 47-59.

Ministrante: Prof. Tyrone Chaves-Filho (Labedisco/Uesb) e Prof. Sivonei Rocha (Labedisco/Uesb)

FOUCAULT, M. 2001a. Prefácio à Transgressão. In: M. FOUCAULT, Ditos e Escritos III. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Rio de Janeiro, Forense Universitária, p. 28-46.

Ministrante: Prof. Mndo. Victor Pereira Sousa (Labedisco – Mestrado em Linguística/UESB)

Data: 29/02/2012, quarta-feira


3.Tópicos acerca do Sobrenatural

Yardley, Edward.  The supernatural in romantic fiction. Longmans, Green and Co.: London, 1880.

Ministrantes: Profa. Mnda. Talita Figueredo (Labedisco - Mestrado em Memória/UESB) e Prof. Mndo. Victor Pereira Sousa (Labedisco – Mestrado em Linguística/UESB)

Data: 06/03/2012, terça-feira

4.A dor, o prazer e o sublime

Burke, Edmund. A Philosophical Enquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and Beautiful. Printed for J. Dodsley: London, 1757, pp. 41-65

Ministrantes: Prof. Mndo. Ciro Prates (Labedisco – Mestrado em Memória/UESB) e Prof. Eleandro Prado (Labedisco – IC/UESB)

Data: 13/03/2012, terça-feira


5.Paixão e terror

Burke, Edmund. A Philosophical Enquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and Beautiful. Printed for J. Dodsley: London, 1757, pp. 95-110.

Ministrantes: Prof. Mndo. Ciro Prates (Labedisco – Mestrado em Memória/UESB) e Prof. Eleandro Prado (Labedisco – IC/UESB)

Data: 20/03/2012, terça-feira





sábado, 27 de agosto de 2011

Arqueologia da Tragédia: discursos entre Nietzsche e Foucault

Organizado no quadro das atividades do LABEDISCO/UESB (Laboratório de Estudos do Discurso e do corpo) e do Grupo de Pesquisa sobre o Discurso e o Corpo (CNPq), inserido nos trabalhos do Projeto de Pesquisa “Análise do discurso e corpo: os diálogos entre Nietzsche e Foucault”, e do Projeto de Extensão “Análise do Discurso: corpo, memória e imagem”.




Sábado, 17 de setembro de 2011

"Tenacidade, generosidade, são as duas palavras que me vêm no momento em que termino esta apresentação. Michel Pêcheux foi um ‘obreiro’, como dizemos na montanha, um semeador de ideias, de projetos, de programas. Ele trabalhou impossíveis ‘máquinas de ler’ que iam abrir novas leituras. Ele infatigavelmente leu e re-leu, fez ler, falou de suas leituras. Ele ia ler Nietzsche." (MALDIDIER, 2003, p. 98).

Seguindo a indicação do linguista e fundador da AD, Michel Pêcheux, que, segundo Denise Maldidier, em “A inquietude do discurso: (re)ler Michel Pêcheux hoje” esboçou o desejo de estudar o filósofo alemão, essa Jornada de Estudos, fruto das leituras empreendidas pelos membros do Labedisco durante todo o ano de 2010, objetiva discutir os eixos “sujeito, corpo e memória” na obra “O Nascimento da Tragédia”, de Friedrich Nietzsche, e traçar suas relações com a teoria do discurso, sobretudo no que concerne à obra “Arqueologia do Saber”, de Michel Foucault.

Conferencistas

Nilton Milanez

Pós-doutorado (PDE/CNPq) em discurso, corpo e cinema na Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Líder do GRUDIOCORPO/CNPq - Grupo de Estudos sobre o Discurso e o Corpo e coordenador do Labedisco/UESB - Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo.

João Mateus Kogawa

Doutorando em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp – Araraquara. Bolsista CAPES. Membro do Geada/CNPq – Grupo de Estudos de Análise do Discurso de Araraquara.

Guilherme Figueira Borges

Doutorando em Linguística na Universidade Federal de Uberlândia. Membro Laboratório de Estudos Polifônicos/CNPq.

Janaina de Jesus Santos

Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp – Araraquara. Membro do GrudiocorpoCNPq – Grupo de Estudos sobre o Discurso e do Labedisco/UESB.

Joseane Bittencourt

Mestranda em Memória, Linguagem e Sociedade na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Assistente de Coordenação e Pesquisa do Labedisco/UESB. Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo.

Cecília Barros-Cairo

Mestranda em Memória, Linguagem e Sociedade na Uesb com estágio sanduiche na Universidade Estadual de Campinas (2010) e na Sorbonne Nouvelle - Paris III (2011). Pesquisadora do GRUDIOCORPO/CNPq - Grupo de Estudos sobre o Discurso e o Corpo e assistente de pesquisa do Labedisco/Uesb.

Talita Figueredo

Mestranda em Memória, Linguagem e Sociedade da UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É membro do Labedisco/Uesb.

Silvia Maria Alencar Silva

Mestranda em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É membro do Labedisco/Uesb.

Junia Ortiz Matos

Mestranda em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia. Membro do Labedisco/Uesb.

Lucilene Oliveira do Rosário

Graduada em Letras Vernáculas pela UESB. Membro do Labedisco/UESB.

Victor Pereira Sousa

Especialista em Línguistica pela Uesb. Pesquisador discente do Labedisco/Uesb.

Ciro Prates

Graduando em Letras da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É membro do Labedisco/Uesb.

Jamille da Silva Santos

Graduanda em Letras da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É membro do Labedisco/Uesb.

Eleandro de Oliveira Prado

Graduando em Letras Modernas da Uesb. É membro do Labedisco/Uesb.

Priscilla Freitas Machado

Graduanda em Pedagogia. Estagiária e pesquisadora do Labedisco/Uesb.

Fabrícia Laurena Sales de Souza

Graduanda em Letras Modernas na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É membro do Labedisco/Uesb.

































































































PROGRAMAÇÃO

Salão do Júri – UESB – Campus de Vitória da Conquista

MANHÃ

10h ABERTURA

Nilton Milanez e Joseane Bittencourt

10h15 Cinco primeiros parágrafos do “O Nascimento da Tragédia”

10h35 Talita Figueredo (Mestrado/UESB): O apolíneo e o dionisíaco no Nascimento da tragédia

10h55 Ciro Prates (Labedisco/Letras): O cômico e o trágico na arte grega

11h20 Sexto ao décimo parágrafos do “O Nascimento da Tragédia”

11h45 Júnia Ortiz (Mestrado/UFBA): A música e a tragédia em Nietzsche

12h15 Debate

12h30 Almoço


TARDE

14h Décimo primeiro ao décimo quinto parágrafos do “O Nascimento da Tragédia”

14h25 Cecília Barros Cairo (Mestrado/UESB): Memória, sonho e embriaguez em “O Nascimento da Tragédia”

14h50 Joseane Bittencourt (Mestrado/UESB): O acontecimento em “O Nascimento da Tragédia”

15h15 Décimo sexto ao vigésimo parágrafos do “O Nascimento da Tragédia”

15h35 Victor Pereira (Labedisco/Letras) e Silvia Alencar (Mestrado/UESB): A unidade e a dispersão em “O Nascimento da Tragédia”

16h Intervalo

16h20 Vigésimo primeiro ao vigésimo quinto parágrafos do “O Nascimento da Tragédia”

16h45 Nilton Milanez (Labedisco/UESB): Principium individuationis: corpo e sujeito

17h10 Prof. Guilherme Borges (Doutorado/UEG): Nietzsche e Foucault: Tragédia e Sujeito

17h35 Jamille Santos (Labedisco/Letras) e Janaína Santos (Doutorado/UNESP): O desgoverno de si em “O Nascimento da Tragédia”

18h João Kogawa (Doutorado/UNESP): Diálogos entre Nietzsche e Foucault


Os interessados deverão enviar para o e-mail do evento (arqueologiadatragedia@gmail.com) o nome, endereço, instituição a qual está vinculado e curso de graduação. A organização responderá com e-mail sobre a confirmação da inscrição.


Comissão organizadora

Organizadores

Nilton Milanez

Joseane Bittencourt

Divulgação

Cecília Barros-Cairo

Certificados

Talita Figueredo

Monitoria discente

Jamille Santos e Lucilene Rosário


Mais informações

tel: (77) 34259392
contato: Priscila Machado
e-mail: labedisco@gmail.com
site: www.uesb.br/labedisco





sexta-feira, 11 de março de 2011

Curso Fundamentos e Conceitos da Análise do Discurso: Corpo e Sujeito - 2011.1


CURSO FUNDAMENTOS E CONCEITOS DA ANÁLISE DO DISCURSO:

CORPO E SUJEITO

2011.1


COORDENAÇÃO

Prof. Dr. Nilton Milanez (Grudiocorpo/CNPq&Labedisco/UESB)

Profa. Msda. Joseane Bittencourt (Grudiocorpo/CNPq&Labedisco/UESB)

Profa. Msda. Talita Figueredo (Grudiocorpo/CNPq&Labedisco/UESB)

Sobre o curso

O objetivo deste curso é apresentar referencial teórico e analítico sobre a constituição do sujeito e do corpo como lugares de produção histórica, de coerção e de resistência, estudados à luz dos sentidos que emergem tanto da língua quanto da imagem fixa e em movimento. Esse breve estudo demonstrará, portanto, como sujeito e corpo, compreendidos como discurso, estão ligados a relações de forças e construções simbólicas que ao mesmo tempo ditam regras e possibilitam (re)invenções do cotidiano em torno de nossas maneiras de pensar, sentir e agir ao longo dos anos 2000.

1° ENCONTRO: Texto “Discurso e produção de subjetividade em Michel Foucault, de Cleudemar Alves Fernandes.

Ministrante: Jamille Silva Santos

Dia: 15/03/2011, às 18h30

2° ENCONTRO: Texto “O sujeito e o poder”, de Michel Foucault

Ministrante: Joseane Bittencourt

Dia: 29/03/2011, às 18h30

3° ENCONTRO: Texto do livro “Os anormais”, de Michel Foucault

Ministrante: Ciro Prates

Dia: 12/04/2011, às 18h30

4° ENCONTRO: Texto “O corpo anormal”, de J-J Courtine

Ministrante: Fabrícia Sales

Dia: 26/04/2011, às 18h30

5° ENCONTRO: Textos “A possessão da subjetividade” e “Corpo Cheiroso, Corpo gostoso”, de Nilton Milanez

Ministrante: Priscilla Freitas

Dia: 10/05/2011, às 18h30

6° ENCONTRO: Texto “O corpo monstruoso na política: sujeito, memória e acontecimento”, de Joseane Bittencourt.

Ministrante: Joseane Bittencourt

Dia:24/05/2011, às 18h30

7° ENCONTRO: Posições do corpo no discurso: o lugar do sujeito na pornografia virtual, de Lucilene Oliveira do Rosário.

Ministrante: Lucilene Oliveira do Rosário

Dia: 07/06/2011, às 18h30

8° ENCONTRO: Texto “Construções discursivas do "menor infrator" – dos corpos fragmentados sob as lentes da mídia, de Cecília Barros-Cairo

Ministrante: Cecília Barros-Cairo

Dia 21/06/2011, às 18h30

segunda-feira, 7 de março de 2011

Horreur à la brésilienne - Conferência de abertura

A noite de sexta-feira, 4 de março de 2011, marcou o lançamento do Ciclo "Horror à brasileira: discurso, corpo, cinema", na Cité Universitaire International de Paris. O professor João Marcos Kogawa, então mestre de cerimônia, encarregou-se do momento inicial, fez os devidos agradecimentos aos parceiros que contribuíram para a organização e realização do ciclo e apresentou o conferencista da noite, o professor Nilton Milanez, também organizador do evento, que trouxe a conferência intitulada “Galeria de monstros brasileiros e a possessão do corpo”. Foram exibidos ao longo da apresentação fragmentos e personagens fílmicos que ilustraram as análises feitas em torno do discurso do corpo e do horror e a platéia, composta de estudantes, pesquisadores e cinéfilos reagiu positivamente à exposição. O final da noite marcou-se pela performance “O demônio dança”, apresentada por Carolina Natal e Cecília Barros-Cairo e um coquetel simbólico que proporcionou um pouco mais de debate sobre a noite.

Podem ser vistos nos vídeos seguintes alguns momentos da abertura do Ciclo Horror à brasileira:



sábado, 5 de março de 2011

Horror à brasileira: discurso, corpo, cinema

O Ciclo de discussões e projeção de filmes Horror à brasileira: discurso, corpo, cinema é uma realização do LABEDISCO – Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo, juntamente com o Grudiocorpo/CNPQ – Grupo de Estudos do Discurso e do Corpo, no quadro das pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). O evento conta também com a colaboração da Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris III e da Universidade Carlos III de Madri. Nosso objetivo é discutir, a partir de conferências sobre filmes de horror brasileiros, destacar o corpo como uma escrita de si no interior da cultura brasileira sob perspectivas teóricas advindas das letras e das artes. Essas discussões evidenciarão um largo quadro de posições teóricas que se inscrevem no seio dos estudos da materialidade verbal e não verbal produzindo múltiplas direções. Assim, a circulação e a proliferação do discurso do horror bem como sua análise nos permitirão construir um breve quadro de aspectos dos domínios políticos, históricos, artísticos e culturais. O ciclo acontecerá entre os dias 4 de março e 15 de abril de 2011 na Maison du Brésil, situada na Cidade Universitária Internacional de Paris. Enfim, todos e todas que são interessados(as) pelo cinema brasileiro, inscrevam-se e sejam bem-vindos(as).


sábado, 8 de janeiro de 2011

Sexta-feira 13: materialidade do corpo e do horror

O projeto Sexta-feira 13: materialidades do corpo e do horror, coordenado pelo Prof. Dr. Nilton Milanez e pela Profa. Jamille Santos, se encerrou com o ano 2010 após incitar os novos pesquisadores a buscar a relação entre corpo e horror na perspectiva da Análise do Discurso. O projeto foi constituído por uma série de oficinas de leitura, que discorriam acerca da literatura de horror e deste no cinema, tomando os contos de Edgar Alan Poe. Teve início no dia 23 de Agosto com a Profa. Jamille Santos, que discutiu o livro introdutório de Tzvetan Todorov sobre o estranho e o maravilhoso na literatura. Houve, em sua totalidade, seis encontros que foram realizados por integrantes do Grupo de Estudos sobre o Discurso e o Corpo, GRUDIOCORPO/CNPq, e com participações importantes da Profa. Msa. Cecília Barros e do Prof. Dr. Nilton Milanez, por meio de vídeo-conferências. Este projeto, bem como Fundamentos e Conceitos da Análise do Discurso fizeram parte do projeto de extensão Discurso: corpo, memória e imagem, uma ação do Prof. Dr. Nilton Milanez, líder do Labedisco e coordenador do GRUDIOCORPO.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fundamentos e Conceitos da Análise do Discurso

O projeto Fundamentos e Conceitos da Análise do Discurso, coordenado pelo Prof. Dr. Nilton Milanez e pela Mestranda Joseane Bittencourt, objetiva expor as bases fundamentais para a formação da Análise do Discurso de linha francesa. Para tanto, o projeto é composto por uma sequência de cursos, que seguem uma determinada linearidade para o estudo da AD. Teve início no dia 31 de Agosto com o Prof. Osvaldete José da Silva Junior (CEFET/BA), que abordou de forma verticalizada o Curso de Lingüística Geral, atribuído a Ferdinand de Saussure, precursor do estruturalismo, assinalando uma nova era nos estudos da linguagem. Com a ocorrência de outros seis encontros, realizou-se um percurso na formação da disciplina Análise do Discurso, centralizada em M. Pêcheux e M. Foucault. O sétimo encontro permitiu aos coordenadores do projeto finalizá-lo com A ordem do discurso, de Foucault, ministrado por Joseane Bittencourt no dia 06 de dezembro deste ano.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Entre a memória e o discurso

O e-book Entre a memória e o discurso é uma produção do Labedisco – Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo - e apresenta os resultados do projeto de extensão “Análise do discurso: imagem, corpo e memória”, desenvolvido pelo laboratório de março a novembro de 2010. Esse é o segundo volume da coleção e tem o selo da Editora Claraluz, renomada pela publicação em pesquisas na área de lingüística e análise do discurso. O ebook é uma organização do Prof. Nilton Milanez do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, juntamente com a Profa. Cecília Barros-Cairo e o Prof. Túlio Henrique Pereira, ambos mestrandos em Memória: linguagem e sociedade da UESB. O ebook reflete o intercâmbio entre o Labedisco e grupos de pesquisas nacionais e internacionais, diálogos com grupos da própria UESB, da FTC, da Universidade Federal de Uberlândia, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Carlos III, de Madrid. O ebook traz como novidade uma vídeo-apresentação e alguns trabalhos contam com exibição de vídeo no interior do texto, ampliando os horizontes do texto escrito juntamente com o audiovisual. Entre a memória e o discurso pode ser acessado gratuitamente no site do laboratório ( www.uesb.br/labedisco) e está disponível também em versão para download.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Conferência Internacional no Labedisco

O Labedisco contou, no dia 06 de agosto, com a participação das Professoras Anna Casas Aguilar, da Universidade de Toronto, e Jaciane Martins Ferreira, do Sectec/GO, com estágio na Universidade de Toronto. As professoras falaram sobre sexualidade, erotismo, natureza e jogos de força na poesia da escritora espanhola Clara Janés e na prosa de Hilda Hilst. Veja breve reportagem sobre o evento veiculado na TV UESB. Enquanto aguardamos o vídeo original, disponibilizamos uma versão gravada direta da TV.

domingo, 13 de junho de 2010

Curso na UFPB

O Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba recebeu o Prof. Nilton Milanez para um curso de 30 horas para os alunos do programa. A Prof. Ivone Lucena acolheu e encorajou a pesquisa de jovens discentes pesquisadores no Auditório de Educação da Universidade ao promover o curso “Discurso, corpo e subjetividades na mídia e na literatura”, ministrado pelo Prof. Nilton durante a semana de 4 a 7 de maio. O curso tratou de questões como memória, imagem, corpo e suas novas possibilidades de trabalho no interior da Análise do Discurso. O encontro dos trabalhos do Grudiocorpo/Labedisco com os estudos desenvolvidos pela Profa. Ivone e Profa. Angélica foram muito frutuosos. As pesquisadoras orientam trabalhos de mestrado e doutorado em vários domínios do conhecimento, incluindo Escola, Música, Literatura, História em Quadrinhos, Administração e Mídia Impressa, entre outros. O Labedisco estava lá para registrar esse momento ímpar de intercâmbio. Convidamos a todos para conhecer, além das fotos e vídeos desse encontro, os livros doados pela Profa. Ivone à Biblioteca do Labedisco. Pela grandeza do abraço, agradecemos a oportunidade à Profa. Ivone de ter nos proporcionado manhãs e tardes tão cheias de calor do conhecimento. Do Grudiocorpo fica a nossa satisfação em veicular alguns clicks desses dias tão claros.

Leia abaixo o Cordel do Poeta Nelson Barbosa de Ararif feito exclusivamente para (e durante)o Curso:

Abriu maio com firmeza
o movimento de vez
Ivone, bem equipada
um convite fez
Pense,que é show de bola
esse curso da escola
do Professor Milanez
O seu vastíssimo currículum
legitima a trajetória
numa bela experiência
nova conquista de Glória
no decorrer desse curso
analisamos discurso
fundamentando a memória
Nas instâncias do discurso
ali o sujeito está
a voz, o que representa
que interferência há
em quais marcasse instala
quem fala e de onde fala
quem é o seu titular...
Entre a coisa e a palavra
há um distanciamento
uma é mais flexível
a outra um tombamento
uma coisa é uma coisa
Palavra é investimento
A senha que acessa os signos
da memória dos sinais
faz a leitura dinâmica
perpassar o que está por trás
AD, num sentido crítico
com seu olhar analítico
ensina a gente a ver mais
Agora fique atento
a tudo o que está na vez
ao ver uma propaganda
procuro saber quem fez
qual a ideologia
quer me fazer de freguês
Pense num sujeito experto
depois que ouvi de perto
o Professor Milanez

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Projeto de Extensão 2010 - VALE A PENA CONFERIR!

O Labedisco está com tudo em 2010. Para começar o ano com o pé direito, o Prof. Nilton preparou um Projeto de Extensão que irá deixá-lo de boca aberta. Com temas diversificados e bastante interessantes que irá contagiá-lo, além de uma grande troca de aprendizado o projeto oferece entretenimento e muita diversão. Confira a programação e participe.

PROGRAMAÇÃO

OFICINA DE LEITURA CORPO, MEMÓRIA E IMAGEM

Duração: março à maio
Dia: Terças-feiras
Horário: 16h30
Local: Labedisco
Carga horária: 30h/aula

Estudo 1


MILANEZ, Nilton. O nó discursivo entre corpo e imagem: que identidade para o brasileiro é essa? In: MACHADO, Ida Lucia; MENDES, Emília; LIMA, Helcira. Revista de Estudos Semiodiscursivos. Imagem e Análise do Discurso. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010 (no prelo) .

Discussão: Prof. Dr. Milanez e Profa. Joseane Bittencourt (Labedisco/UESB).

FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Trad. Luiz Felipe Baeta neves. Rio de Janeiro: Forense universitária, 2000.

Discussão: Profa. Msnda. Cecília Barros (FAPESB) e Profa. Joseane Bittencourt (Labedisco/UESB).

Estudo 2

SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens. Ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Tradução de José Rivair Macedo . Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007, p. 133-162 (Cap.4).

Discussão: Júnia Ortiz (IC/CNPq).

Estudo 3


SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens. Ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Tradução de José Rivair Macedo. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007, p. 219-278 (Cap.7).

Discussão: Profa. Msnda. Cecília Barros (FAPESB).

Estudo 4


SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens. Ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Tradução de José Rivair Macedo. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007, p. 303-325 (Cap.9).

Discussão: Fernanda Rivera (IC/FAPESB).

SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens. Ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Tradução de José Rivair Macedo. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007, p. 351-368 (Cap.11).

Discussão: Wilson Fernandes Júnior (ICV/UESB).

Estudo 5


MONTEIRO, Luiz Felipe C. MATÉRIA DE HOMENS: Apontamentos sobre as interpelações de Foucault à teoria dos sonhos em Freud e Binswanger. Monografia, 2005.

FOUCAULT, M. Introdução (In Binswanger). In:_______. Ditos e escritos. V. I – Problematização do sujeito: Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002b, p. 71-132.

Discussão: Profa. Msnda. Cecília Barros (FAPESB).

Estudo 6


HALBWACHS, Maurice. Introdução. In: _______.A memória coletiva. Tradução de Beatriz Siodu. São Paulo: Centaur o, 2006, p. 17-23.

Discussão: Profa. Joseane Bittencourt (Labedisco/UESB).

HALBWACHS, Maurice. Memória Individual e memória coletiva. In: _______. A memória coletiva. Tradução de Beatriz Siodu. São Paulo: Centauro, 2006, p. 29-70.

Discussão: Prof. Dr. Nilton Milanez e Profa. Joseane Bittencourt (Labedisco/UESB).

Estudo 7

HALBWACHS, Maurice. Memória coletiva e memória histórica. In: _______. A memória coletiva. Tradução de Beatriz Siodu. São Paulo: Centauro, 2006, p. 29-70.

Discussão: Prof. Dr. Nilton Milanez e Profa. Msnda. Cecília Barros (FAPESB).

Estudo 8


Bodei, Remo. Adeus ao passado: memória histórica, esquecimento e identidade coletiva. In _______. Livro da Memória e da Esperança. Trad. Letizia Zini Antunes. Bauru, São Paul o: EDUSC, 2004, p. 35-68.

Discussão: Prof. Dr. Nilton Milanez.

Estudo 9


YATES, Frances A. A memória medieval e a formação de um sistema de imagens. In: _______. A arte da memória. Tradução Flavia Bancher.Campinas, São Paul o: Editora da Unicamp, 2007, p. 111 -138.

Discussão: Júnia Ortiz (IC/CNPq).

Estudo 10

YATES, Frances A. Os tratados sobre memória. In: _______. A arte da memória. Tradução Flavia Bancher. Campinas, São Paulo: Editora da Unicamp, 2007, p. 139-170.

Discussão: Fernanda Rivera (IC/FAPESB).

Os textos abaixo também compõem o arcabouço teórico desta oficina e serão discutidos dentro do quadro de cursos e minicursos.

Curso “Recordar, repetir e elaborar” e “ Fenomenologia da percepção”: produção de sentidos da memória e do corpo em Freud e Merleau-Ponty.

Prof. Dra. Lélia Reis (UFBA).

FREUD, Sigmund. (1914) Recordar, repetir, elaborar, vol. XII. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio
de Janeiro: Imago, 1996.

PÊCHEUX, M.. Papel da memória. In: ACHARD, P. (et al). Papel da memória. Campinas: Pontes Editores, 2007. p. 49-57.

MINICURSOS

Minicurso 1


(IM)POSSIBILIDADES DE EFEITOS DA MEMÓRIA NA (RE)PRODUÇÃO DE DISCURSIVIDADES

Prof. Msndo. João de Deus Leite (PPGEL-ILEEL-UFU/CAPES) e Profa. Msnda. Sirlene Cíntia Alferes (PPGEL-ILEEL-UFU/CAPES) - 16 de março, terça, às 19h no Salão do Júri.
TEXTOS RECOMENDADOS:

Leituras Recomendadas:

PÊCHEUX, M. Ler o arquivo hoje. In. ORLANDI, Eni P. (org) [et. al.]. Gestos de leitura: da história no discurso. Tradução: Bethânia S. C. Mariani [et. al]. Campinas: Editora da Unicamp, 1994, p.55-66 (Coleção Repertórios).


PÊCHEUX, Michel. Papel da memória. In: ACHARD, Pierre [et al.]. Papel da memória. Tradução e introdução: José Horta Nunes. 2 ª Edição. Campinas, SP: Pontes Editores, 2007. p. 49-57.



Minicurso 2

HISTÓRIA E MEMÓRIA EM ZARATUSTRA: CONJUNTURAS PARA PENSAR A VONTADE DE PODER


Prof. Msndo. Guilherme Figueira Borges (PPGEL-ILEEL-UFU/CAPES/LEP) 30 de março, terça, às 19h no Salão do Júri.


Minicurso 3


NEUTRALIDADE NO TRIBUNAL: A POLÊMICA NO DISCURSO JURÍDICO

Prof. Dr. Jorge Viana Santos (UESB-GPEL-GPADis/CNPQ) - 22 de maio, sábado, 14h no Salão do Júri.

Minicurso 4


PRÁTICAS JUDICIÁRIAS E DISCURSOS SOBRE O ‘MENOR INFRATOR’

Profa. Msnda. Cecília Barros-Cairo (Mestrado/FAPESB) - 22 de maio, sábado, 14h no Salão do Júri.

Minicurso 5

DISCURSO, MEMÓRIA E HISTÓRIA NA LITERATURA

Profa. Msnda. Jaci ane Martins Ferreira (GPAD/ UFU; Grudiocorpo/UESB) e Profa. Msnda.Kari na Luiza de Freitas Assunção Grupo (GPAD/ UFU; Grudiocorpo/UESB) - 25 de maio, terça, 19h no Salão do Júri.

Minicurso 6


O CORPO E O CULTO À MASCULINIDADE: O DISCURSO MIDIÁTICO SOBRE O HOMEM GAY

Prof. Dr. Marcus Lima (DFCH/UESB) - 15 de junho, terça, 19h no Salão do Júri.

Minicurso 7


A ESCRITA DE SI: MICHEL FOUCAULT, SÊNECA E CLARICE LISPECTOR

Profa. Dra. Maria das Graças Fonseca Andr ade (DELL/UESB) - 22 de junho, terça, 19h no Salão do Júri.

Observação: Os minicursos continuam em 2010.2. Aguardem nova programação.

CURSOS

Curso 1

Prof. Dra. Lélia Reis (UFBA)
20 de março, sábado, às 13 h
Salão do Júri

Leituras Recomendadas:


FREUD, Sigmund. (1914) Recordar, repetir, elaborar, vol. XII. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
O Caso Shereber, artigos sobre técnica e outros trabalhos, volume XII (1911-1913).

COSTA, Hilda Rodrigues. Saussure, Os Estudos Lingüísticos no século XX e a Lingüística Aplicada. REVELLI Revista de Educação, Linguagem e Literatura da UEG-Inhumas, ISSN 1984-6576 - v. 1, n. 2, outubro de 2009.

FURLAN, Reinaldo; BOCCHI, Josiane Cristina. O corpo como expressão e linguagem em Merleau-Ponty. Estudos de Psicologia 2003, 8(3), 445-450

Vídeoconferência com FANI HISGAIL. DIÁLOGOS ENTRE PSICANÁLISE E SEMIÓTICA.


Curso 2


Prof. Dr. Nilton Milanez (Labedisco/UESB;Grudiocorpo/CNPq)
06, 13, 20, 27 de abril, terças, 19h
Teatro Glauber Rocha
Cartaz do curso


Observação: Os cursos continuam e m 2010.2. Aguardem nova programação.

domingo, 8 de novembro de 2009

O Desdobrar de imagens: Questões de discurso e representação, por Janaina de Jesus Santos


No dia 16 de Outubro deste ano, Janaina de Jesus Santos ministrou uma palestra sobre o texto "Isto não é um cachimbo", de Michel Foucault. Janaína possui graduação em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2000). Especialização em Lingüística aplicada ao Ensino do Português (2006). É Coordenadora Pedagógica do Museu Regional, Assistente de Pesquisa do Grupo de Estudos sobre o Discurso e o Corpo, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e professora na Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Atualmente, cursa Mestrado em Estudos Lingüísticos na Universidade Federal de Uberlândia e participa do Grupo de Pesquisa em Análise do Discurso - GPAD. Esta palestra tratou sobre questões relacionadas ao discurso e representação, conforme Foucault em "As palavras e as coisas".

O DESDOBRAR DE IMAGENS:

Questões de discurso e representação


Janaina de Jesus Santos (UESB/ UFU/LEDIF/GRUDIOCORPO)


Ao analisar o quadro geral da idade clássica, Foucault (2002a) problematiza o universo da ordem e da representação. Uma época em que as palavras e as coisas se distanciam: as coisas não mais falam, nem guardam uma verdade secular; são, antes, tomadas como signo no domínio dos conhecimentos empíricos, em detrimento de uma semelhança. O mundo deixa de ser texto indefinidamente interpretável. A relação do signo com o conteúdo não mais é assegurada na ordem própria das coisas, e sim no liame entre a idéia de uma coisa e a idéia de uma outra. Isto é, não há sentido no mundo, anterior ou exterior ao signo. “Eis, pois, os signos, libertos de todo esse fervilhar do mundo onde o Renascimento os havia outrora repartido. Estão doravante alojados no interior da representação, no interstício da idéia, nesse tênue espaço onde ela joga consigo mesma, decompondo-se e recompondo-se.” (FOUCAULT, 2002a, p. 93)

Seguido do abandono da interpretação e do estabelecimento da ordem, temos uma cientificidade empirista que fala da possibilidade e da impossibilidade da representação. Tenta-se definir a positividade em termos matemáticos, tentando aproximar os seres e criar um inventário de tudo nas ciências humanas que seria matematizável (FOUCAULT, 2002b).

No século XIX, a teoria da representação desaparece como fundamento geral de todas as ordens possíveis, a linguagem deixa de ser um quadro espontâneo e primeiro das coisas, como suplemento indispensável entre a representação e os seres. De acordo com Foucault (2002b), as ciências humanas se constituem na forma como o homem se representa: “é esse ser vivo que, do interior da vida à qual pertence inteiramente e pela qual é atravessado em todo o seu ser, constitui representações graças às quais ele vive a partir das quais detém esta estranha capacidade de poder se representar justamente a vida.” (FOUCAULT, 2002b, p. 487)

Analisando a representação, Foucault (2006a) questiona como ela acontece no quadro do pintor René Magritte “Ceci n’est pas une pipe”. Inicialmente, propõe analisar o quadro como caligrama em que as palavras conservaram sua derivação do desenho e seu estado de coisa desenhada, em que as lemos superpostas a si próprias. Palavras desenhando palavras e formando, na superfície da imagem, uma frase que diz que isto não é um cachimbo, no deslocamento do texto para a imagem. Depois, pondera que em sendo o cachimbo representado, desenhado com a mesma mão e com mesmo instrumento que as letras do texto, ele é uma extensão das letras. E conclui que “A prévia e invisível operação caligráfica entrecruzou a escrita e o desenho; e quando Magritte recolocou as coisas em seu lugar, tomou cuidado para que a figura retivesse em si a paciência da escrita e que o texto fosse apenas uma representação desenhada” (FOUCAULT, 2006a, p. 252).

Assim, Foucault (2006a) conclui sobre o imperativo de fazermos leituras que ultrapassem as barreiras da decifração, para que analisemos nas possibilidades de sentido do texto, além do próprio texto, uma vez que no próprio ato de ler a forma se dissipa, desenrolando apenas o sentido num processo situado no espaço e no tempo. Para quem o lê, o caligrama não diz a coisa representada, ele está demasiadamente preso na forma e dependente da semelhança. Por conseguinte, o caligrama não diz e não representa nunca no mesmo momento, sua leitura é sempre atualizada no seu acontecimento. A forma desenhada do cachimbo expulsa o texto explicativo ou designativo: “O caligrama desfez este interstício; mas, uma vez reaberto, ele não o restaura; a armadilha foi quebrada no vazio: a imagem e o texto caem cada um do seu lado, de acordo com a gravitação que lhes é própria.” (FOUCAULT, 2006a, p. 254). Texto em imagem de texto e imagem em texto.

A representação do real, por si mesma, é parte do real, não se constrói numa relação paralela ou independente. Mesmo ao pensarmos o cinema como lugar privilegiado para compreendermos o movimento discursivo, temos em vista que nunca vai alcançar o fato em si, será sempre uma representação do fato que se multiplica e presentifica a cada ato de análise. Portanto, a única forma de apreendermos o real é por meio de nossas percepções dele.


Referências

FOUCAULT, Michel. Repersentar. In: As palavras e as coisas. Uma arqueologia das Ciências Humanas. 8 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 63-105.

______. Isto não é um cachimbo. In: Michel Foucault: Estética: literatura e pintura, música e cinema. Ditos & Escritos. v. III. MOTTA, Manoel Barros da. (Org.). Trad. de Inês Autran D. Barbosa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. p. 247-263.


Para ter acesso ao power-point, apresentado por Janaína, clique aqui.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Observações sobre o corpo no conto de Hoffman: Profa. Dra. Lucia Ricotta


No dia 06 de outubro, a professora adjunta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Lucia Ricotta - graduada em História pela Pontifícia Universidade Católica/RJ, mestre em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e doutora em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica/ RJ - discorre sobre o corpo no conto O Homem da Areia, de Ernst Theodor Amadeus Hoffmann,emuma Conferência realizada pelo LABEDISCO no curso "Discurso e Corpo: imagens na mídia e naliteratura". Para situar os leitores perante o que foi discutido na Conferência, disponibilizamos um texto sucinto e logo em seguida, o próprio conto para aqueles que desejam ler e tê-lo em seu computador.


O Homem da Areia de Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1776-1822), cuja primeira publicação foi em 1817, pertence à tradição do Kunstmärchens, fairy tale, contos feéricos, visionários e está ligado ao maravilhoso, ao fantástico, ao anônimo, ao folclórico, porque tem uma referência forte em variantes de histórias populares orais. Por outro lado, também está ligado ao chamado Schwarzen Romantik (o romântico noturno, sombrio, enegrecido, tingido de negro). Nesse sentido, ele pode ser classificado como um Schauerroman, uma história de suspense. Então, o homem de areia é conhecido popularmente, como a própria babá do personagem do conto relata, como um homem malvado que aparece para as crianças travessas quando elas não querem ir dormir e joga nos olhos delas um punhado de areia, de forma que os olhos saltam do rosto sangrando; depois o homem de areia pega esses olhos das criancinhas travessas e os carrega para a lua, para alimentar seus rebentos. E lá seus rebentos empoleirados em seu ninho bicam, com seus bicos de coruja, os olhos das criancinhas travessas. Neste sentido, tem-se a questão da visão/clareza e visão/terror, visão/delírio imaginativo e desvario imaginativo = visão como engajamento poético na vida. Nesse texto, Hoffmann parece se fixar no tema do olho, na faculdade visual do olho, do olhar, da visibilidade, da aparência para revelar o quanto esses são sentidos enganosos, que baralham as fronteiras entre real e imaginoso ou ficção e realidade. Não existe uma visão pura, desprovida de paixão, de afecção que o mundo dos fenômenos pode nos provocar. Trata-se de uma visão do espírito. Mas não uma visão espiritualista, mas a visão animada do espírito, pelos poderes da mente do espírito. Uma visão que engendra outras visões daquilo que não está lá. Com isso, ele nos sugere que a visão do mundo exterior não é uma visão transparente, direta, imediata, mas trata-se de uma visão mediada pela mente, pelo espírito poético etc.

Portanto é possível pensar infância/pureza e perversidade; na questão das mediações e instrumentalizações; do sujeito que vive lançado sobre sua alma, que assujeita o mundo ao seu ponto de vista; do corpo como maquínico com vida e um corpo maquínico sem vida. O humano como maquínico, a inimaginável humanidade das máquinas, que, na verdade, está ligado à questão subterrânea sobre o que há de inumano e de inumanidade no homem ou no humano e a questão do estranho-íntimo. A dimensão do outro em nós, a dimensão do desconhecido, do soturno, sombrio que está ao lado da razão clara e distinta. Talvez isso explicaria porque o estranho, o abjeto (aquilo que é desprezível, baixo, ignóbil) causa-nos um magnestismo, no sentido de que somos atraídos por algo que não podemos conhecer.

A questão do estranho-íntimo como sublime: o estranho e monstruoso também estão ligados a uma dimensão do sublime, daquilo que não é passível de representação, que ultrapassa as faculdades de apreensão da razão humana, é maior que o homem, tem uma dimensão de ininteligível, nossas faculdades da imaginação, entendimento e razão não estão à altura dele, literalmente. O sublime, segundo Kant, torna nossa capacidade de resistência de uma pequenas insignificante em comparação com o seu poder. Não é possível conceitualizar o sublime terrificante, no entanto, não podemos resistir face à grandeza de impressões que ele nos provoca.

Os personagens:

1 – Natanael: protagonista completamente narcísico, cujo nome vem de natal (nascimento) e tânatos (o deus grego da morte). Freud vai interpretar tânatos como a pulsão de morte em contraposição à Eros, a pulsão da vida. Personagem completamente nebuloso que vive em meio a uma imaginação feérica, causada por uma espécie de trauma de infância, que veio da morte do pai. Completamente aterrorizado e ao mesmo tempo fascinado pelo homem de areia. Ver p. 115.

2 – Clara: noiva de Natanael, uma personagem lúcida, alegre, com idéias claras e distintas, que repreende a copiosa imaginação de seu noivo e representa uma espécie de limite à loucura imaginosa dele, aponto de ele a chamar de “autômato sem vida”: p. 122, 123 e p. 128.

3- Coppelius – um cara assustador, horripilante, desfigurado, deformado, o qual corresponde, do ponto de vista de Natanael, ao homem de areia. É um amigo do seu pai, que chega todas as noites na casa de Natanael, na hora em que a mãe leva os filhos para dormir. É o cara que faz com seu pai experimentos alquímicos. Ele representa o unheimilich: o estranho, o sinistro que fascina e aterroriza, ao mesmo tempo, é o estranho-íntimo, essa acho a melhor tradução. Ver p. 117, 118 e 119.

4- Coppola (nome italiano que quer dizer o côncavo do olho, Augenhöhle): é um vendedor ambulante italiano que vende barômetros, lentes, óculos, lunetas, um fatal vendedor. Nataniel confunde Coppola e Coppelius. Interessante que esses instrumentos da visão, que visam a aproximar, distanciar e instrumentalizar uma visão mais precisa e rigorosa do real, do detalhe realista é justamente o que vai embaralhar o espírito de Natanael, é justamente o que irá expor as formas invisíveis a seus olhos.

  • 5 - Olímpia (aquela que veio do olimpo; como uma espécie de escárnio ao clássico): Filha do professor de Natanael, que ele mais tarde descobriu que era uma autômata, uma boneca feita de mecanismos, e que se tornou o fundamento da loucura e insanidade de Natanael. Ela inspira o amor e a paixão inebriante e cega de Natanael, a ponto dela ser representada por ele como um autômoto com vida. A visão dos olhos dela, do ponto de vista de Natanael, é maior que todas as linguagens, dela emana a paixão que vai irradiar todos os pensamentos de Natanael, nela ele encontra todo o seu ser. P. 133 e 134
  • E o final: p. 145 e 146.
  • Ler passagem em que ele descobre que ela é um autômato. P. 142 e 143.
  • 6 – Lotar: o irmão de Clara
  • 7- Spalanzani: o pai de Olímpia.
Conto: O homem da areia